segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Epílogo



Com o coração feliz subo para a montanha
De onde posso contemplar a cidade inteira,
Hospital, lupanar, purgatório, inferno, prisão,

Onde toda a enormidade floresce como uma flor
Sabes bem, ó Satã, dono de minha angústia,
Que eu não fui lá para derramar meu pranto;

Mas como um velho libidinoso de uma velha amante,
Quero inebriar-me com a enorme prostituta
Cujo encanto infernal me rejuvenesce sempre.

Que durmas ainda nos lençóis da manhã,
Pesada, obscura, resfriada, ou que te exibas
Entre os véus da noite borbados a ouro fino;

Eu te amo, ó capital infame! Cortesãs
E bandidos, aos quais frequentemente ofereces prazeres
Incompreendidos pelos vulgares profanos.

Charles Baudelaire

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